As terras que viria à ser de Umbaúba,
também passaram pelo processo de colonização, como todo o litoral brasileiro.
Os primeiros europeus adentrarem nesse território pelo sul do estado, navegando
pelos rios Real e Piauí. Por volta de 1600, os europeus imbuídos pela ideia de
encontrar ouro e desbravar as novas terras ( os sertões) enfrentaram constantes
lutas com os índios Tupinambás, que vivam na região, principalmente, na área pertencente,
hoje a Cristinápolis, na época era conhecida como Chapada dos Índios. Entre os
inúmeros desbravadores estava um importante bandeirante minerador Belchior Dias
Mareyra, que conseguiu junto ao El’Rei uma sesmaria próximo ao rio Guararema.
Entretanto, não se tem certeza quanto ao surgimento deste núcleo de povoamento.
Porém, existem alguns indícios de que teria sido por volta de 1860 a 1870 com a
criação de gado na gigantesca fazenda Sabiá, pertencente ao Corenel português
Manuel Fernandes da Rocha Braque. Essas terras ficavam encravadas no termo
judiciário da vila do Espírito Santo, hoje Indiaroba. Foi através desta
propriedade que possibilitou a formação de um núcleo incipiente de povoamento
nessa região. Mas, devido a sua localização geográfica foi ganhando importância
e tornando-se conhecida tanto na região do sertão como no litoral.
Próximo à margem do calmo Riacho da
Guia, ( toponímia do Corenel Manuel
Fernandes), hoje Dois Riachos nasceu e se desenvolveu uma enorme árvore de nome
umbaúba. Por causa da sombra de das águas límpidas do riacho e, por ser uma via
que dava acesso para quem vinha do
sertão ao litoral, tornou-se este lugar uma espécie de pousada ao ar livre. Os
grupos de viandantes a burros ou mesmo a pé costumavam a descansar, preparar
comida, dar água aos animais ou até mesmo pernoitavam ali para se
restabelecerem do desgaste da viajem. Este ponto ficou tão conhecido por quem
frequentava a estrada que já acertavam aonde iam se encontrar para descansar. A
movimentação foi se intensificando ao passo que ia aumentando a aglomeração de
viajantes nesta localidade. Isso deu bases a alguém colocar um pequeno ponto de
venda para abastecer os viajantes. A formação deste pequeníssimo comércio foram
erguidas mais casa por ali, sem que o proprietário se importasse. Em pouco
tempo, já se realizavam consideráveis feiras. Estas, porém, tiveram um
crescimento tão bom que esse ponto se constituiu em um arraial, denominado “
Riacho da Guia”. Entretanto, prevaleceu o nome do lugar Umbaúba.
O dono daquelas terras, Manoel
Fernandes da Rocha Braque, na época, vendo que estava desenvolvendo um lugarejo
em sua propriedade construiu uma capela consagrada a Nossa Senhora da Guia, que
se fez Padroeira do recente lugarejo. E, para incentivar a formação e o
desenvolvimento do povoado, separou uma “área de 60 braços quadrados” e doou
aquela pequena comunidade.
Por causa de uma manipulação política,
o lugarejo deixou de pertencer judicialmente a Indiaroba e passa a ser anexado
juridicamente a Vila Cristina, hoje Cristinápolis. Apesar dessa situação, a Câmara
Municipal de Itabaianinha, conseguiu por meio de uma manobra ilícita, da
concessão ao comerciante João Fernandes da Rocha, muito importante no
município, o direito de construir e desfrutar de uma casa comercial no povoado
e Umbaúba. Sentindo-se espoliados com este fato, os comerciantes da Vila
Cristina protestaram e reivindicaram o direto de usufruir o referido ponto
comercial. O presidente provisório do Estado, Dr Felisbelo de Oliveira Freire,
anulou o Ato da Assembleia e através do Decreto nº 50, de 20 de junho de 1890
deu o direito a Vila Cristina de tirar proveito do Povoado.
Em
1889, período em que o país tinha declarado o Regime Republicano, é criada no
povoado, em 10 de dezembro deste mesmo ano a primeira cadeira de ensino.
Com a morte do coronel Manoel
Fernandes, seu filho, major Cândido José Araújo Viana , aproveitando-se da
influência que possuía junto aos importantes políticos do Estado, fez uma
singular reforma na capela. Ampliou-a e transformou-a em uma igreja com apenas
uma torre. Posteriormente entregou-a aos cuidados dos moradores.
Destacou-se também, o Capitão Alcides
Bezerra Monteiro, que estimulou o crescimento com a abertura das primeiras ruas
e com a construção de algumas casa, que foram doadas ou vendidas a várias
pessoas da comunidade.
Dando continuidade ao incentivo do pai
de ver o lugarejo crescer, Cândido Viana, por meio da sua boa atuação política,
consegue transformá-lo em 16 de outubro de 1926, pela Lei nº 961 em distrito de
Umbaúba.
Nas divisões territoriais do Estado, datadas em 31 de dezembro de 1937,
bem como no quadro anexado ao Decreto lei estadual nº 69, de 20 de março de
1938, fica estabelecido que o distrito de Umbaúba fazia parte do município de
Vila Cristina. Apesar desta situação, a sede do distrito é elevada a categoria
de Vila, através da Lei Federal nº 311,
02 de março de 1938. Ainda assim, continuava sendo até 1948, parte inteirada a
Cristinápolis. Contudo, o determinado crescimento comercial, juntamente com o
desenvolvimento agropecuário e a expansão da sede possibilitou esse distrito se
tornar tão importante quanto o município
de Cristinápolis. Desse modo, em 1954, no governo de Leandro Marciel, a então
Vila de Umbaúba adquire a sonhada categoria de cidade, por meio da
Lei Estadual nº 525-A, de 06 de fevereiro do corrente ano. Após se desmembrar
do município de Cristinápolis, ficou estabelecido pela Lei estadual nº
554/54 que a recém-criada cidade possui
um núcleo municipal e pertencia ao termo
da Comarca de Itabaianinha. Em outubro desse mesmo ano foi organizado a
primeira eleição do município. Dos 786 eleitores da nova sede, só 509
participaram da escolha dos primeiros governantes. Foi eleito a prefeito
Anfilófio Fernandes Viana, juntamente com cinco vereadores. Todos empossados em
31 de janeiro de 1955.
De acordo com a Lei nº 554 de fevereiro
de 1954, os marco de limitem estavam da seguinte forma:
·
Com
o município de Cristinápolis
·
Começando
no lugar denominado Passagem das Pedras;
daí segue pelo rio Itamirim até a foz do rio Jacaré;
·
Com
o município de Itabaianinha
·
Começa
na foz do riacho Jacaré, percorrendo em linha reta até o marco a S. E. do
engenho Cipozinho; daí a linha ao marco à margem direita do Riacho Comboatá a
sudoeste do engenho Cipó Branco.
·
Com
o município de Santa Luzia do Itanhy;
·
Começa
a sudoeste do engenho Cipó Branco; daí em linha reta a um marco na margem
esquerda do rio Guararema defronte da Fazenda Mangabeira;
·
Com
o município de Indiaroba;
·
Começando
em um marco na margem esquerda do rio Guararema defronte a fazenda Mangabeira;
daí segue em linha reta até um marco à margem esquerda do rio Itamirim, no
lugar Passagem das Pedras.
Apesar e ser uma cidade com poucas
décadas de fundação, averiguamos que a expansão do perímetro urbano de Umbaúba
está atrelada, principalmente, a rodovia BR 101, aos investimentos lucrativos
da cultura e a pavimentação de seus logradouros públicos. O primeiro
responsável pelo eixo circulatório de mercadorias de toda parte do país e pelo
deslocamento do processo migratório
nessa região. O segundo,
condicionalmente para o desenvolvimento do centro comercial, que aumentou a
circulação de dinheiro do município, assim como absorveu inovações de
outras áreas urbanas. Consequentemente,
ampliou os investimentos em patrimônios ( casas , terrenos) na área urbana,
como também, inovou a arquitetura das residências, além de contribuir para a
expansão da malha urbana do município. Com o último fator, a cidade adquiriu
uma nova expressão de valorização em sua área urbana. Entretendo, foi um dos
suportes para o “melhoramento” do saneamento básico da cidade. Todavia, para
acompanhar esse desenvolvimento, há necessidade de uma rede de esgoto em todo
perímetro urbano da cidade.
Em paralelo a expansão, o
desenvolvimento e a elevação do contingente populacional surgem à falta de
mercado de trabalho. Com isso, boa parte da população sem perspectiva de
trabalho no centro fica a mercê da cultura da laranja.
Em suma, constatamos que as
transformações urbanísticas, até o presente momento, estiveram ligadas à
posição geográfica, a citricultura da laranja e a pavimentação dos logradouros
públicos. Esses fatores explicam a expansão e o desenvolvimento da cidade de
Umbaúba.
Fontes
retirados da Monografia apresentada à disciplina
Prática de Pesquisa, como requisito parcial à obtenção do titulo de
licenciatura em História pela aluna Ivanete de Jesus Clemente.
